quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Tempo















Transformo os meus dias em tempo.
Tempo que não tenho, tempo que persigo.
Não estranho a sua passagem. Vejo nela uma vantagem.
A vantagem de não parar. De continuar com ou sem tempo.

Olho para o tempo como sinto uma brisa de vento.
Não o alcanço, sinto-o. Não o vejo, mas pressinto-o.
Da sua passagem um vendaval que me atravessa.
Que agarra e me impede de não seguir em frente.

Espero sem demora pelo meu tempo.
Diz que todos temos o nosso tempo.
E o tempo é implacável. Deixa marcar profundas no meu ser.
Leva-me para tantos lugares, tantos quantos aqueles onde eu quero estar.
Perturba os meus sonhos, limita os desejos de quem quer voar.

Basta perguntar ao tempo se tem tempo de me embalar.
Não embala ninguém, leva-nos muito mais além.
Não espera. Não se compadece com a inexperiência de ninguém.

Cura. Mas também fere.
Magoa, mas também a amacia a dor.
Quebra. Mói. Mas também fortalece.

Parece enorme na juventude e encolhe com o passar dos anos.
Pode ser doloroso ou simplesmente fenomenal.
Ninguém vive sem ele. Todos morremos com a sua doce passagem.

3 comentários:

Filomena disse...

Ai, se o dia tivesse mais horas... Mas o tempo passa e a nossa vida vai passando com ele. Há que aproveitá-la!
Gostei das tuas palavras, como sempre, e a imagem foi bem escolhida! :)

Ricardo A. disse...

Uma boa lição sobre o tempo. Gostei imenso. Boa continuação! ;)

Susana disse...

Muito obrigado pelos vossos comentários e pela motivação. Enchem-me de alegria :)