Sentadas numa esplanada do centro da cidade, daquelas que ninguém dá por ela, especialmente no Inverno, não resistimos a debater o nosso tema favorito: gajos. Camila parecia distante, distraída até com os patos que nadam no lago mesmo ao nosso lado. No auge dos seus 30 anos, a minha amiga conserva, ainda, um olhar de menina, o rosto arredondado e o os olhos cor de mel são um verdadeiro desatino para os homens que passam. Os cabelos ondulados, castanho claro, caem-lhe na face. Não é muito alta, nem muito magra. Estrutura média, diria. Como é Sábado está vestida de forma desportiva, de jeans e com uma camisola verde de gola de barco e uns ténis pretos, ao contrário do habitual, já que o seu trabalho lhe impõe uma conduta de vestuário, não fosse ela advogada.
- Hello, a terra chama Camila…
- Ai! Estava distraída, desculpem.
- Sim, nós percebemos – responde a Catarina, a nossa ruiva endiabrada - Pensas em quê?
- Nada! Esquece, diz ela perdida não se sabe muito bem onde!
- Acreditas que vou ter de fazer horas extraordinárias, por causa do meu colega, ou melhor da sua lentidão. - Continuo eu como se nada fosse e já adivinhando o problema de Camila.
- Xi, outra vez! Não há maneira de atinar, que o ponham na rua, diz Catarina indignada.
- Acham que ele gosta de mim? – replica Camila, como se de repente acordasse.
- Bem, depende daquilo a que chamas gostar, digo eu impulsivamente.
- Claro que sim, diz Catarina – Porque é que estás triste?
- Ás vezes parece que ele me adora. Trata-me como se eu fosse uma princesa. Os seus olhos sorriem quando tocam nos meus, mas outras vezes parece que não se esforça para estar comigo, que o pouco lhe basta.
- E basta, Camila. Tu é que complicas - esforça-se Catarina para a animar.
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