terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Camila e Pedro II (Continuação)

Continuo a tentar não entrar nesta longa e já batida discussão. A Camila e o Pedro conhecem-se há três anos. Uma troca de olhares num corredor apagado do escritório foi o suficiente para Camila reparar finalmente nele. Alguns meses mais tarde bebem um café e, na semana seguinte, um copo que deu origem à primeira noite de sexo. Muitas outras se seguiram. E os corpos já se entrosavam sem problemas ao fim de três encontros na casa dele, mas a alma, essa, não havia maneira de se tornar numa só. Jantares românticos arrancam suspiros, sms para o telemóvel, com versos roubados de um poema francês, criaram um hábito, que ela não se conformou em perder.
Pedro é o advogado mais cool da “praça”, pelo menos aos olhos de Camila. Vive a vida de forma ligeira. É como aqueles penteados que estão na moda, sabem? Todos despenteados e despretensiosos, mas que levam horas até ficar naquele estado, com a ponta para cima e a franja para baixo, pensado ao pormenor, cada madeixa com o seu lugar marcado. Nem tudo o que parece é, (parece-me!) E ele é assim mesmo. O seu jeito desprendido e desligado é coisa de quem não se quer envolver.

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