Tem um tal sorriso que não vai ser de estranhar que arranque mil suspiros só ao passar. Belas moças da Beira até quem sabe as de Amesterdão não vão ficar indiferentes, algumas se apaixonarão. É travesso e arredio, mas tem um lindo coração.
É jovem, ainda, percorre a vida a saltitar, quantas aventuras estão para chegar.
Chama-se Diogo Dias e é meu primo, pois então, com muito orgulho vou vê-lo um dia tornar-se um grande rapagão
domingo, 7 de dezembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
Até sempre!
Não houve palavras. Só nós os dois sabíamos que era uma despedida. Só nós.
Aos poucos estou a deixar o quarto de paredes tingidas. Passaram mais de vinte anos e a menina fanzina continua de cabeça enterrada nas barras de ferro da tua cama.
Pela janela, raios de sol vão entrando. Tímidos. É Outono. O ambiente não aquece. Aquela janela, para mim, não vai dar a lado nenhum.Vou-me deixando ficar e adio o regresso. Contigo estou em casa, não quero ir para mais lado nenhum.
Oiço os risos miudinhos. Revejo-me nos olhares. Todos, de corações apertados, de corações ao alto. Ninguém faltou, como é raro. Nem imaginas. Quanta beleza há naquele momento.
Sinto o cheiro da mudança, vem misturada com desinfetante de hospital.
Não me peçam para sair, porque não estou preparada para ir. A minha recusa compensou. Lá de cima mandaram perguntar. «Então não abraças o teu avô?»
Deixei-me levar pela ordem. Os nossos corpos abraçaram-se e as nossas almas tocaram-se. Até sempre.
domingo, 11 de agosto de 2013
A Praia num dia
Nos dias quentes de Verão não sinto solidão,
preencho-a com o som das ondas, um sorriso e uma lição.
O mar replica nos meus sonhos. As vozes ecoam como uma canção.
Livros, revistas, banalidades confundem-se no areal.
Mesmo os despojados de alegrias podem enriquecer ao sol.
Até os velhos, nestes dias, encontram a força de outrora e uma ou outra Mão.
O dourado do sol reflete-se nos corpos malhados, que brilham esponjados de cheiros tropicais.
O ócio que muitos reclamam, outros rejeitam, dizem que não.
Pretextos sentidos.
Outros querem implicar com os pobres citadinos que só ao sol querem ficar.
terça-feira, 23 de julho de 2013
As montanhas da alma
Há quem arraste montanhas e há montanhas que se movem em nós.
Os desertos perseguem as almas pequenas.
Os relevos preenchem pequenas almas.
O vento não a balança. Mantém-se de pé.
O gelo não petrifica, não corta, completa com um manto branco.
Chega, parte e regressa a cada inverno (da alma).
O sol reflete, bate. Acontece.
É pequena a erosão para quem tem uma rocha no coração.
Parece pedra que dura, preciosa, madura.
Não se abala, permanece. Não se compadece, enriquece.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
O rio corre sempre para o mar?
Esqueci-me de chorar quando partiste e agora sinto um rio a desabar.
Foste embora e não quis ficar, quieta, simplesmente a desaguar.
Agora é só ruido, são as pedras a rolar.
Estou a tentar chegar perto, estou mesmo quase a chegar.
Espero que o rio encontre o mar e eu em paz possa ficar.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Simplesmente Roda!
Neste mundo que vai, neste mundo que volta.
Respiro fundo e olho para a repetição,
recai aos meus olhos, sem piedade ou perdão.
E voltamos todos à roda. Todos, sem qualquer excepção.
E quando a roda gira, voltam-se todos para a reinação.
E quando volta a girar, perdemos a noção.
Como se a cada momento nos perguntássemos,
porque não gira de feição.
Porque a roda não pára e gira sem direcção.
Amanhã é um momento. Hoje um tormento. Ontem uma diversão.
Hoje rimos, amanhã desfrutamos. Ontem choramos.
E ainda perguntamos, porque não gira de feição.
Repetimos os passos e ela a girar,
Não pára, não pára.
E nós a perguntar.
E mais um pouco, mais um pouquinho.
Estamos quase a chegar.
Pensamos estar perto, repetimos o trajecto.
E zás ela volta a girar.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Tempo
Transformo os meus dias em tempo.
Tempo que não tenho, tempo que persigo.
Não estranho a sua passagem. Vejo nela uma vantagem.
A vantagem de não parar. De continuar com ou sem tempo.
Olho para o tempo como sinto uma brisa de vento.
Não o alcanço, sinto-o. Não o vejo, mas pressinto-o.
Da sua passagem um vendaval que me atravessa.
Que agarra e me impede de não seguir em frente.
Espero sem demora pelo meu tempo.
Diz que todos temos o nosso tempo.
E o tempo é implacável. Deixa marcar profundas no meu ser.
Leva-me para tantos lugares, tantos quantos aqueles onde eu quero estar.
Perturba os meus sonhos, limita os desejos de quem quer voar.
Basta perguntar ao tempo se tem tempo de me embalar.
Não embala ninguém, leva-nos muito mais além.
Não espera. Não se compadece com a inexperiência de ninguém.
Cura. Mas também fere.
Magoa, mas também a amacia a dor.
Quebra. Mói. Mas também fortalece.
Parece enorme na juventude e encolhe com o passar dos anos.
Pode ser doloroso ou simplesmente fenomenal.
Ninguém vive sem ele. Todos morremos com a sua doce passagem.
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